
Marvao 2009 (ou numa aldeia lá perto)
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Ontem vi um documentário sobre uma viagem à Alemanha que passou no canal Travel. Globe Trekker ou qualquer coisa do género. Já cheguei tarde e perdi a passagem por Berlim, mas gostei da sensação de ver um documentário sobre o país em que já vivi, mas que, tirando algumas cidades que já conheço, ficou ainda com tanto por descobrir. Como as praias de Sylt, o esconderijo de Hitler e a aldeia na Baviera onde os homens estão proibidos de fazer a barba e cortar o cabelo durante 20 meses para se parecem com Cristo quando for a altura de representarem a Paixão do mesmo de 10 em 10 anos.
A próxima é já para o ano.
Só não gostei da tradução. Não que a tradutora não percebesse inglês, mas porque a tradutora SÓ percebia inglês e nas partes faladas em alemão a transcrição fazia lembrar um linguajar troglodita entre o holandês e os grunhos dos esquimós. O mais marcante foi quando a jornalista perguntou a alguém onde era o Fundbureau (perdidos e achados) e a tradução remetia para “Phone bureau”… Estranho é que a tradutora não tenha reparado nisso quando a jornalista entra numa casinha cheia de objectos perdidos e achados e não numa teleboutique, como se diz em Marrocos…
De vez em quando, quando a coisa complicava e o linguajar era impossível de transcrever, a tradutora optou por avisar o espectador que se falava uma “(língua estrangeira”), o que eu achei delicioso… Ora, se era uma viagem passada na Alemanha, eles haviam de falar o quê? Um dialecto de uma tribo perdida de África, cujo nome não sabemos e temos, por isso, de designá-lo com um termo generalista??
Não estou a criticar o facto de a tradutora não saber alemão (se bem que se vai traduzir um documentário sobre a Alemanha, se calhar convinha ter umas luzinhas), mas o mais curioso é o facto de a tradutora não conhecer um colega que falasse alemão e a pudesse ajudar na transcrição, ou mesmo na tradução, das partes faladas em alemão ou mesmo que na empresa de legendagem não trabalhasse ninguém com o mínimo de conhecimentos da língua bárbara para corrigir a negligência.
E depois ando eu a traduzir manuais de utilização de máquinas de fazer cerveja.
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No Ípsilon de hoje pergunta-se “Porque é que tanta gente se interessa pelos crimes escandinavos?” e depois anuncia-se que “Os romances policiais nórdicos já estão aí”. Ao longo do artigo, que absorvo de uma assentada, descrevem-se algumas das características de um policial nórdico, que sem dúvida o distinguem de um policial espanhol (fiquei fã de Montálban com Os Pássaros de Banguecoque) ou americano, e apontam-se nomes como Henning Mankell e outros que (ainda) não conheço. Falaram-se dos policiais islandeses, mas falharam o grande, para mim, Arnaldur Indridason.
Comecei a lê-los na Alemanha há uns 4 anos e revelaram ser o perfeito elixir da saúde mental em tempos de stress. Não dispenso e mantenho sempre um de reserva, não se vá dar o caso de ser preciso. O problema é que encontrá-los por cá tem sido como procurar uma agulha no palheiro, portanto não sei ainda como é ler Mankell em português.
A seguir ao livro que estou a ler no momento, conto começar a trilogia de que tanto de fala agora, Stieg Larsson e a sua heroína Lisbeth Salander. Vou gostar de certeza. E só vou ter pena de chegar ao terceiro.
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Ter mudado de país e de várias casas no espaço de um ano não devia ter sido razão para deixar de viver ecologicamente (ou com os mínimos indispensáveis para não parecer uma criatura horrivelmente anti-ecológica). Já que já não fumo há 9 meses, também podia ter voltado a pôr a garrafinha de 0,5 L cheia de água no autoclismo. Mas o planeta ainda não morreu e, portanto, ainda vamos a tempo. A começar hoje.
Entretanto, lá em casa isto é só mais um motivo para gozar brincar comigo (já não bastava aquilo dos animais, agora também tem a mania que é o Al Gore), mas vou esperar pacientemente pelo dia em que o irmão ou um amigo lhe diga* que ser activista-ecologista-assinar para o Partido Pelos Animais é cool e depois já lhe posso trocar a escova de dentes por uma destas**).
* sim, isto é uma dica
** com extremismos q.b. Nunca conseguirei lavar o cabelo com vinagre…
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No seu último romance, Man in the Dark, Paul Auster recria uma realidade paralela aos EUA da guerra no Iraque: uns Estados Unidos com Bush, mas sem o 11 de Setembro. Unidos, logo desunidos, com guerra civil e proclamação de Estados Independentes. Uma América que, com um Bush de qualquer maneira burro, mas agora virado para ele próprio, teria, de certeza, agradado a muita gente.
Auster continua, assim, a surpreender, se bem que a Trilogia de Nova Iorque seja irrecuperável.
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Read by the Author. Em Setembro.
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